By Lucien Silvano Alhanati

Mares e oceanos

Você precisa ler as mais recentes notícias resumidas sobre os mares e oceanos

Título Aquecimento afeta oxigênio do mar
Publicação Globo Ciência em mai/08

 

Zonas mortas se expandem e ameaçam a produção pesqueira.

O aquecimento global pode gradualmente privar os oceanos tropicais de oxigênio, afetando a diversidade de peixes e a economia baseada na pesca.

Áreas do Atlântico, do Índico e do Pacífico com baixas concentrações de oxigênio situados entre 300m e 700m de profundidade se expandiram nos últimos 50 anos e se aproximam das costas. essa expansão em direção às águas continentais desequilibram os ecossistemas afetando a quantidade de peixes.

As águas quentes absorvem menos oxigênio, acarretando grandes dificuldades em sobreviver para os peixes grandes como o atum e o peixe-espada


 

Título Mares mais ácidos
Publicação Globo Ciência em mai/08

 

CO2 torna mares mais ácidos a cada dia.

O dióxido de carbono emitido pelas atividades humanas tornou a água do mar tão ácida que ela está corroendo conchas, corais,esqueletos de estrelas-do-mar e moluscos, alertam os cientistas.

Pesquisadores marinhos já sabiam que a acidificação do mar estava ocorrendo em águas profundas, distantes da terra. Mas o que eles consideraram "realmente impressionante" foi a constatação do fenômeno na plataforma continental do Pacífico Norte, ao longo da costa do Canadá ao México e que provavelmente está ocorrendo em outras plataformas continentais.

Os oceanos absorvem naturalmente o CO2 , o aumento considerável da sua emissão está impondo uma absorção muito acima do suportável alterando a química e a biologia dos mares. Quanto mais ácido um oceano se torna, é mais difícil para algumas criaturas a produção do carbonato de cálcio necessário para formar conchas e esqueletos.


 

Título Satélite para investigar nível dos oceanos
Publicação Globo Ciência em mai/08

 

A investigação do nível dos oceanos é realizada desde o século XIX, como mostra o gráfico abaixo.

A altimetria do nível oceânico já é realizada por meio de satélites.

Um novo satélite vai ajudar os cientistas a monitorar a elevação do nível dos oceanos e entender a sua relação com o aquecimento do planeta. Com lançamento previsto para o próximo dia 15/06, na base aérea de Vanderberg, na Califórnia, ele será útil também para aprimorar as previsões do tempo e o estudo das correntes marinhas.

O satélite denominado de OSTM/jason2 é uma parceria entre a Nasa, a Administração de Oceanos e Atmosfera dos EUA, o Centro Nacional de Estudos Espaciais da França e a Organização Européia para a Exploração de Satélites Meteorológicos.

A missão vai estender até a próxima década um trabalho que foi iniciado em 1992.

O Jason2 vai dar continuidade ao acompanhamento do nível de elevação dos oceanos, um dos mais importantes indicadores das mudanças climáticas.

Medidas anteriores mostraram uma elevação de 0,3 cm anuais desde 1993, um valor duas vezes maior do que a taxa estimada pelas medições de marés no século passado.

O satélite carrega altímetros de grande precisão, que são capazes de medir a altura da superfície do mar em relação ao centro da Terra.

Como a altura da superfície do oceano é fortemente influenciada pela quantidade de calor no mar, ela serve como indicador da concentração de calor na maior parte dos lugares.De acordo com Michael Freilich, da Nasa, a combinação da análise das correntes oceânicas e da concentração de calor nos mares é uma das chaves para a compreensão das variações do clima no planeta.


 

Título Kiribati paraíso condenado
Publicação Globo Ciência em jun/08

 

As nações insulares do Pacífico como Tuvalu, Ilhas Marshall, Vanuatu e Kiribati são apontadas como as  mais vulneráveis do mundo às mudanças climáticas.

Kiribati antiga colônia britânica é formada por 32 pequenos atóis com altitude de 2 m em relação ao nível do mar é habitada por 97 mil pessoas.

Há praticamente 3 anos não chove nas ilhas e, ao longo deste período, a água doce disponível foi sofrendo contaminação de água salgada destruindo os cultivos.

A cada maré cheia ocorrem erosões, cidades que ocupavam a mesma área durante muito tempo estão sendo realocadas. Não há mais como recuar, as ilhas são planas e de baixa altitude.

Segundo o presidente Anote Tong a nação já está alem do ponto de salvação e solicita ajuda internacional para a retirada de toda a população.


 

Título Um mar de zonas mortas
Publicação Globo Ciência em ago/08

 

Dobram a cada década regiões onde a ausência de oxigênio (zonas mortas) reduz a vida marinha.

Um estudo multinacional publicado pela revista "Science" afirma que a ampliação das zonas mortas é devida principalmente a contaminação por fertilizantes e a acidificação das águas resultante da queima de combustíveis fósseis.

De acordo com o estudo, o aumento das zonas mortas se deve a certos nutrientes especialmente o nitrogênio e o fósforo (usados pela agricultura), que, ao entrarem em excesso nas águas litorâneas causam um desequilíbrio entre a população das algas produtoras e as consumidoras de oxigênio.

A evolução da quantidade de zonas mortas é mostrada no quadro abaixo.

início do século passado 4 zonas mortas
década de 60 49 zonas mortas
década de 80 162 zonas mortas
atualmente 405 zonas mortas.

 

As zonas mortas mais recentes englobam regiões da América do Sul, África e parte da Ásia. A maior zona morta do planeta está localizada no Mar Báltico.

O mapa abaixo mostra a localização das principais zonas mortas representadas por pequenos círculos escuros.

A chave para frear o aumento das zonas mortas costeiras seria manter os adubos em terra e impedir que cheguem ao mar.

Segundo os cientistas que realizaram o estudo é necessário que cientistas e agricultores trabalhem em conjunto para desenvolver métodos agrícolas que reduzam a transferência de nutrientes da terra para o mar.

Comentário Alfaconnection.

Existem algas produtoras de oxigênio, pela foto-síntese, como as clorofíceas e as consumidoras de oxigênio como as cianofíceas. As cianofíceas são alimentadas pelo nitrogênio existente no mar e na atmosfera. Estas algas consomem oxigênio na metabolização do nitrogênio. Grandes concentrações de nitrogênio promovem um grande desenvolvimento das cianofíceas e uma redução das clorofíceas e portanto uma enorme deficiência de oxigênio dissolvido na água do mar dando origem à zona morta.


 

Título Maldivas procura um novo lugar
Publicação TV Globo - Jornal Nacional em nov/08

 

Maldivas é um país que ocupa um arquipélago de perto de 1200 ilhas no Oceano Índico. A sua população de aproximadamente 300.000 habitantes está distribuída em 200 ilhas. A sua capital Male está situada na ilha de mesmo nome. O ponto mais alto das ilhas habitadas está situado 2m acima do nível do mar.

Com a elevação do nível dos oceanos provocada pelo aquecimento global, as áreas habitadas tendem a desaparecer. A população precisa ser transferida para outro local mais seguro.

O Presidente das Maldivas acaba de criar um fundo com o dinheiro do turismo, que é intenso na região, destinado a comprar terras para transferir a população. Territórios hoje pertencentes ao Sri Lanka e a Índia estão sendo considerados porque os paises têm cultura, culinária e clima similares.A Austrália também está sendo sondada.


 

Título Um país inteiro de mudança.
Publicação Globo Ciência em nov/08

 

Maldivas vão comprar terras no exterior para fugir da elevação do nível do mar. O país está situado em um arquipélago de 1200 ilhas das quais 200 são habitadas e estão situadas a uma altitude de apenas 1,5 m acima do nível do mar.

- Vamos investir em terra no exterior - disse Nasheed, presidente do país. - Não queremos terminar em campos de refugiados.

Em entrevista à BBC, o porta-voz da Presidência, Ibrahim Hussein Zaki, explicou por que o governo precisa agir rapidamente:

- Aquecimento global e outras questões ambientais são motivos de grande preocupação para o povo das Maldivas. Estamos a cerca de 1,5 m do nível do mar. Qualquer elevação pode ter um efeito devastador para a população e ameaça sua própria sobrevivência.

O país é particularmente vulnerável à enchentes não só por ser o mais baixo do mundo, mas também devido ao crescimento de sua população. Em 20 anos a população dobrou passando de 200 mil para 400 mil habitantes. A sua capital Malé extremamente populosa de menos de 2 km quadrados, já é cercada por muros de contenção do mar, construídos com a ajuda do Japão.

Outras nações e províncias enfrentam ameaças semelhantes.


 

Título Mares cada vez mais ácidos.
Publicação Globo Ciência em nov/08

 

O aumento dos níveis globais de dióxido de carbono elevou a acidez dos oceanos dez vezes mais depressa do que cientistas haviam previsto no último relatório do IPCC. O impacto mais imediato é uma ameaça direta a numerosas espécies de moluscos e corais.

Os oceanos absorvem aproximadamente 1/3 de todo o CO2 liberado na atmosfera por atividades humanas. Quando o CO2 se dissolve na água, é formado o ácido carbônico, que altera o delicado equilíbrio químico dos mares e dissolve o carbonato de cálcio, que compõe as conchas e os recifes de corais.

Entre as conseqüências a longo prazo da redução do pH marinho está a transformação de habitats e mudanças de base da cadeia alimentar.


 

Título Veneza debaixo d'água.
Publicação Globo Ciência em dez/08

 

A cidade italiana de Veneza amanheceu ontem com a maior parte de seu território inundada por causa do aumento do nível do mar, o maior em 22 anos, devido a fortes ventos e chuvas.

O prefeito Másimo Cacciari, pediu que as pessoas fiquem em casa e que aqueles que estão a caminho de Veneza "viajem apenas em casos imprescindíveis." 

Os moradores usam barcos para andar pela praça de São Marcos, cartão postal da cidade

O Centro Maree, que mede o nível do mar na cidade, informou que as águas do mar Adriático subiram 156 cm. Está previsto, no entanto, que a maré chegue a 160 cm, o que não acontece desde 1979. O fenômeno pode inundar toda a cidade.


 

Título Inundação reaviva fantasma da morte de Veneza.
Publicação Globo Ciência em dez/08

 

A imagem de Ducan Zuur, atleta holandês fazendo wakeboard na Praça de São Marcos e nos canais adjacentes, trouxe de volta o fantasma da morte da milenar cidade italiana.

Com o aquecimento global, os canis ameaçam afundar a cidade. O nível da água subiu na segunda feira 156 cm acima do normal, o mais alto dos últimos 22 anos, causando alagamento em 95% da área de Veneza. A cidade já está acostumada com alagamentos e agüenta a "água alta" de até 1 m.

A freqüência da ocorrência da "água alta" tem aumentado. O centro de Veneza ficou submerso 8 vezes deste 28 de agosto.

A ele3vação do nível da água foi tão rápida esta semana que as passarelas comumente instaladas pela prefeitura para os turistas possam caminhar não puderam ser içadas a tempo e ficaram submersas.

Lojistas perderam mercadorias, autoridades mandaram todos ficarem em casa, e os turistas se viraram como podiam

Lisa di Cataldo, dona de uma pensão na cidade foi comprar pão, mas o padeiro disse que não tinha conseguido fazer a fornada pois tinha entrado água dentro do forno.


 

Título Inundação produzida pela cheia no Mar do Norte.
Publicação O Estadão em dez/08

 

LONDRES - Milhares de pessoas foram retiradas de suas casas em várias localidades litorâneas do leste da Inglaterra, onde as autoridades temem que a alta do nível das águas provoque inundações, informou nesta sexta-feira, 9, a Agência de Meio Ambiente britânica (EA, sigla em inglês). 

Segundo a EA, a alta do nível das águas foi causada por uma corrente do Mar do Norte. O fenômeno pode pôr em perigo a população de Great Yarmouth, no condado de Norfolk, e de outras localidades do condado de Suffolk, além de causar danos materiais.

As autoridades estenderam o alerta ao litoral dos condados de Lincolnshire, Essex, North Yorkshire e Kent, no leste da Inglaterra.Great Yarmouth deverá ser a área mais afetada pela alta do nível do mar. "Há ainda um risco de inundações no litoral. 

A boa notícia é que por enquanto as defesas contra as cheias não foram superadas.Algumas estradas do litoral estão inundadas, mas isso pode ser efeito de uma combinação da ação das ondas e dos ventos", disse nesta sexta um porta-voz da EA.

Enchente histórica

A agência informou que, por enquanto, o nível das águas não é tão alto quanto se temia em princípio. Na quinta, especialistas compararam a atual situação com as inundações de 1953, quando centenas de pessoas morreram e grande parte do leste da Inglaterra ficou sob as águas.O primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, presidiu nesta sexta uma reunião do comitê de emergência Cobra para analisar com outros ministros a situação no leste da Inglaterra.

Nas localidades ameaçadas, várias pessoas passaram a noite em centros comunitários e escolas. Outras optaram por ficar nos andares mais altos de suas casas, informaram as forças de segurança. Até 30 escolas foram fechadas como medida de precaução.

O ministro do Meio Ambiente, Hilary Benn, disse ontem à noite que o governo está fazendo o possível para ajudar a população. Mas reconheceu que ninguém pode prever os efeitos da maré nas áreas litorâneas.

Em Londres, a barreira do rio Tamisa foi fechada na quinta-feira, para conter a alta do nível das águas. A cidade está "segura", garantiu Andy Batchelor, responsável pela supervisão local.

Países Baixos

As autoridades holandesas também adotaram uma série de medidas de proteção para evitar inundações devido a um forte temporal no Mar do Norte, que por enquanto só causou um aumento do nível da água.

É a primeira vez desde 1976 que a Holanda aplica medidas generalizadas de proteção do litoral e dos diques, segundo a Radio 1 holandesa.Depois das inundações de 1953, que causaram 1.800 mortes, engenheiros holandeses projetaram o Plano Delta, um sistema de proteção das costas do país.

Por causa da tempestade prevista, na última quinta à noite pela primeira vez as autoridades fecharam a complexa comporta marítima Maeslantkering. Construída perto do porto de Roterdã, ela protege a província de Zuid Holland dos riscos de inundações.

Também foi fechada outra comporta marítima de grande porte, a Oosterscheldekering, no litoral sudoeste, na província de Zeelandia.

A maior parte do território da Holanda fica abaixo do nível do mar. Por isso, o país é muito vulnerável a tempestades, especialmente vindas do noroeste. O alerta se mantém no norte do país, onde o nível do mar ainda pode subir.

No porto de Antuérpia, no note da Bélgica, também foi fechada a comporta marítima, para evitar que a água que ultrapassa os diques chegue à cidade.


 

Título Aquecimento global ameaça a Ilha de Marajó.
Publicação O Estadão em dez/08

 

Com 2 metros de elevação no nível do mar, 28% de seu território desaparecerá no oceano

 Simulação das linhas de costa na Ilha de Marajó, com o aumento do nível do mar (foto)

 Os recentes estudos sobre mudanças climáticas divulgados pela revista Science indicam que o nível do mar está subindo mais rápido do que o esperado. Para avaliar o impacto das transformações no ambiente causadas pelo aquecimento global, pesquisadores da Divisão de Sensoriamento Remoto do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), utilizando imagens do satélite Landsat, fizeram uma simulação da enchente que ocorreria na Ilha de Marajó com um aumento de poucos metros no nível do mar. Com 2 metros de elevação, 28% de seu território desaparecerá no oceano. Caso o aumento chegue a 6 metros, 36% da ilha pode ser inundada, segundo nota divulgada pelo Inpe.Para prever o nível de inundação nestes diferentes cenários, foram utilizados dados dos estudos “Modelagem de dados topográficos SRTM” (Projeto CNPq) e “Integração de dados biológicos e geológicos no baixo Tocantins - Ilha do Marajó: chave na análise da biodiversidade” (Projeto Fapesp), dos quais participam os pesquisadores Márcio de Morrison Valeriano e Dilce de Fátima Rossetti . A Ilha de Marajó foi escolhida porque tem altitude muito baixa de modo geral, sobretudo na costa leste.

“As análises feitas até agora mostram que, em meio a uma história movimentada, a ilha preservou mais de uma linha ancestral de costa, devido a eventos passados de transgressão e regressão marinha. Com a perspectiva de elevação dos níveis do mar (em futuro não muito distante), esta história deve continuar com o estabelecimento de uma nova costa. A Ilha de Marajó sofrerá uma rápida transformação de seu desenho logo aos primeiros metros de elevação do mar”, explica Márcio de Morrison Valeriano, citado no website do Inpe.

Segundo os pesquisadores Paulo Roberto Martini e Oton Barros, que também participaram deste projeto, a análise nesta área com dados de SRTM (Shuttle Radar Topographic Mission NASA, um radar topográfico) foi possível devido à cobertura vegetal esparsa e ausência de construções. A técnica não é apropriada para áreas urbanas ou de floresta densa.


 

Título Rio terá prejuízo de R$ 78 bi com elevação do nível do mar
Publicação O Globo em dez/08

 

O impacto das mudanças climáticas e do desenvolvimento urbano pode triplicar o número de pessoas no mundo expostas à elevação do nível dos mares e inundações no litoral até 2070, afetando 150 milhões, segundo um novo relatório da Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

O Rio de Janeiro possui hoje 98 mil pessoas expostas em seu litoral, e a previsão da OCDE é de que esse número chegue a 268 mil em 2070. O prejuízo com a perda material poderia chegar a 78 bilhões de reais. 

As imagens abaixo mostram uma simulação.

 

Só para efeito de comparação, a cidade americana de Miami poderia perder até US$3.5 trilhões de dólares em patrimônios de sua costa. 

Em junho, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística(IBGE) detectou que em Macaé, no Norte Fluminense, a elevação do nível do mar estava dez vezes superior à média global registrada pelo IPCC.

Os dados colhidos pelo IBGE mostram que, entre 1994 e 2006, o nível do mar aumentou em média 37mm no Norte Fluminense - ou dez vezes mais que a média apontada pelo IPCC, de 3,1 mm (entre 1993 e 2003). Apenas entre 2001 e 2006, o nível do mar em Macaé - a 182 quilômetros do Rio - aumentou 15 cm.

Na ocasião, o professor de Engenharia Costeira Paulo Rosman, da Coordenação de Programas de Pós-Graduação em Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ), que participou do estudo, disse que os fenômenos no litoral fluminense eram naturais.

No Brasil, a Grande Vitória vive situação pior ainda. Lá existem hoje 320 mil pessoas expostas nos litorais. A projeção é de que mais de 600 mil fiquem vulneráveis ao avanço dos oceanos em 2070. O prejuízo seria de quase 90 bilhões de dólares. A população da Grande Vitória hoje é de 1,613 milhão de pessoas, e o percentual de afetados é muito maior que no Rio de Janeiro.

Maceió, Natal, Porto Alegre, Recife, Salvador, Belém e a Baixada Santista também estão entre as cidades vulneráveis, todas do litoral brasileiro. 

Prejuízo de 35 trilhões de dólares
O estudo da OCDE ranqueou as cidades portuárias vulneráveis e concluiu que 150 milhões de pessoas poderão estar expostas a até 100 episódios de inundação. Hoje esse número é de 40 milhões. Cerca de 130 cidades portuárias foram analisadas e o estudo diz que são necessárias políticas de adaptação nessas regiões. O prejuízo total pode chegar a 35 trilhões de dólares.

A Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) é uma organização internacional e intergovernamental que agrupa os países mais industrializados da economia do mercado. Tem sua sede em Paris, França. Na OCDE, os representantes dos países membros se reúnem para trocar informações e definir políticas com o objetivo de maximizar o crescimento econômico e o desenvolvimento dos países membros.

Medidas de adaptação
O principal impacto previsto no estudo da OCDE é a elevação de 0,5 m no nível do mar até 2070, com contribuições do derretimento de geleiras. O relatório alerta que medidas de mitigação são necessárias e se tomadas elas darão tempo para as cidades implementarem suas próprias medidas de adaptação.

"O estudo mostra que colocar barreiras costeiras pode levar até 30 anos. A adaptação terá que se tornar prioridade na agenda política hoje se quisermos fazer alguma diferença amanhã", diz a OCDE.

Durante o ano os relatórios do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas, o IPCC, alertaram que o nível dos mares pode subir de dez em dez centímetros durante este século, com o aumento da incidência de tempestades e ciclones.

O bloco dos mais vulneráveis
A metade da população exposta a essas inundações se encontra em apenas dez países. Mumbai, na Índia, tem o maior número de pessoas expostas. Em 2070, Calcutá, também na Índia, será o local mais vulnerável, com o número de pessoas expostas chegando a 14 milhões, quase a população inteira da cidade afetada.

Nas próximas décadas, diz o documento, o crescimento sem precedentes das cidades asiáticas vai contribuir potencialmente para o aumento do risco global com as inundações. Em 2070, oito das cidades mais vulneráveis estarão na Ásia. 

Os locais pelo mundo mais vulneráveis na questão do prejuízo material se concentram em oito países: China, Estados Unidos, Índia, Japão, Holanda, Tailândia, Vietnã e Bangladesh. 

No quesito quantidade de população em risco são 11 os países mais vulneráveis: China, Estados Unidos, Índia, Japão, Tailândia, Vietnã, Bangladesh, Myanmar, Egito, Nigéria e Indonésia.


 

Título Aquecimento fará nível dos oceanos aumentar bem mais que o previsto
Publicação Globo Ciência em mar/09

 

Nova previsão Mostra elevação do mar duas vezes maior até 2100.

Novos dados que preveem uma elevação média de um metro foram anunciados durante uma conferência sobre o clima, realizada em Copenhague na Dinamarca. Para 600 milhões de pessoas que vivem em áreas costeiras, essa é uma péssima notícia. 

Novos estudos mostram que o nível do mar está aumentando 3 milímetros por ano desde 1993.

Com auxilio de imagens feitas por satélites, os cientistas puderam comprovar o derretimento cada vez mais acelerado do gelo sobre o mar tanto no Ártico como na Antártica. O derretimento do gelo marinho não causa elevação do nível do oceano, mas ele serve de apoio para as massa de gelo na terra. Seu derretimento facilitará a desintegração das grandes massa de gelo em terra, que deslizam para o mar causando uma elevação do nível dos oceanos. Veja mais detalhes clicando aqui.

Dentro deste cenário cidades como Londres e Alexandria, vão sofrer com constantes inundações, e paises insulares como as Maldivas, no Oceano Índico e Tuvalu, no Pacífico Sul deverão desaparecer.


 

Título Refugiados climáticos.
Publicação Globo Ciência, caderno O CAOS NO CLIMA em abr/09

 

Avanço do mar e erosão forçam a mudança de moradores de reserva biológica.

O Parque Estadual da Ilha do Cardoso, paraíso com 96% de Mata Atlântica preservada está sofrendo com a erosão provocada por ressacas intensas.

A restinga existente no Parque está prestes a se romper e as duas comunidades de caiçaras da restinga na enseada da Baleia e na Enseada Norte deverão ser reassentadas constituindo um grupo de refugiados climáticos.

Alguns moradores tentam inutilmente proteger as suas construções com sacos de areia.

As mudanças intrigam os moradores que afirmam - Antigamente a gente olhava o tempo e dizia: hoje vai chover e amanhã não vai. Nossa vida foi toda assim, aprendendo a ler o tempo. Hoje não entendemos mais o que o tempo escreve. - É tudo muito triste. A verdade é que a natureza reclama e nós vamos embora.

As mudanças intrigam também o gestor ambiental do Parque, Rodrigo José Silva Aguiar: - A impressão é que a dinâmica natural das mudanças marítimas está acelerada. Notamos erosão acentuada em quase toda parte.

A causa da erosão e das ressacas é incerta. Alguns cientistas acreditam que está ligada ao aquecimento global que está causando uma mudança no regime dos ventos


 

Título Litoral de Cananeia apresenta sinais de afundamento.
Publicação Globo Ciência, caderno O CAOS NO CLIMA em abr/09

 

Região também registra aumento de ressacas.

Uma pesquisa do Instituto de Oceanografia da USP em Cananeia revela que, além de uma elevação do nível do mar de 0,4mm por ano, a terra está fundando 0,18mm por ano.

Afranio Rubens de Mesquita, autor da pesquisa, afirma que se trata de um processo lento, que está sendo estudado na região de Ubatuba. Se tivermos resultados semelhantes poderemos afirmar que o litoral paulista está afundando.

Outra pesquisa, do professor Edmo Campos, da Usp indica que tem ocorrido uma mudança no padrão de ventos do Atlântico Sul. Aparentemente, um dos efeitos da mudança dos ventos é a alteração do padrão de confluência das correntes, que altera a distribuição do calor, sendo a causa provável o aquecimento global.

Alberto Costa Lopes, gerente de Qualidade Costeira e Marinha do Ministério do Meio Ambiente, revela que várias regiões litorâneas brasileiras estão em situação crítica por causa dos efeitos de urbanização, agravados por mudanças climáticas.

- Há várias praias brasileiras onde têm ocorrido mudanças nas ondas, aumento nas ressacas e na erosão. Consideramos que esteja ocorrendo uma combinação de fatores e o fato é que já estão sendo registradas mudanças no padrão de ondas, no aumento do nível do mar e no aquecimento do oceano.


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